Indústria de Americana registra saldo positivo de vagas e exportações
O Liberal, Americana – Dezembro 2024
Crescimento de vendas ao exterior e aumento de vagas no setor marcam ano positivo, com expectativas de expansão

Por Ana Carolina Leal
A indústria de Americana apresentou um desempenho positivo em 2024, superando expectativas e registrando um crescimento significativo em relação ao ano passado.
Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que o saldo de vagas no setor industrial aumentou mais de 11 vezes, saltando de 84 entre janeiro e outubro de 2023 para 937 no mesmo período de 2024. Este crescimento reflete uma recuperação robusta e uma tendência de consolidação da base industrial da cidade.
Outro indicador positivo foi o aumento nas exportações. Entre janeiro e novembro deste ano, o valor exportado por Americana alcançou US$ 382,6 milhões, superando ligeiramente os US$ 376,8 milhões registrados no mesmo período de 2023.
Entre os produtos mais exportados, destacam-se metais preciosos, como os que resultam da fabricação de catalisadores, e pneus.
O economista Múcio Zacharias acredita que, embora o crescimento das exportações tenha sido modesto — de 1,5% —, ele demonstra uma resiliência positiva da indústria de Americana.
“Esse resultado é fruto da combinação de vários fatores, como a desvalorização do real frente ao dólar, o que tornou os produtos brasileiros mais competitivos no mercado externo, e o aumento da demanda por produtos industriais de alto valor agregado, como metais preciosos e borrachas processadas”, explica.
Zacharias também atribui esse crescimento à reestruturação pós-pandemia, quando muitas empresas aprimoraram suas estratégias de exportação, investiram em tecnologia e diversificaram seus mercados. A localização estratégica de Americana e a capacidade produtiva da cidade são vistas como fatores que facilitaram a consolidação da participação no mercado global.
“Americana aproveita um momento favorável de demanda global por produtos industrializados de alto valor, o que, aliado à sua capacidade produtiva, contribui para o aumento das exportações”, afirma.
Importações
Em contraste com o crescimento das exportações, as importações de Americana caíram no período janeiro a novembro de 2024, passando de US$ 373,5 milhões para US$ 363,7 milhões, uma redução de cerca de 2,6%.
Para Zacharias, essa queda pode ser explicada por dois fatores principais: a substituição de insumos importados por matérias-primas locais e a redução da demanda interna devido ao desempenho econômico moderado do Brasil, com o PIB projetado para crescer cerca de 2,2% em 2024.
A alta do dólar e políticas de incentivo à produção doméstica também levaram a indústria local a buscar alternativas nacionais. “As empresas estão ajustando seus estoques e consumos para reduzir custos e preservar margens de lucro, o que tem gerado uma maior valorização dos produtos fabricados internamente”, explica o economista.
Outro fator que contribuiu para a queda das importações foi a alta dos custos logísticos, que, somados à volatilidade do comércio global, motivaram as empresas a repensarem suas cadeias de suprimento e a priorizarem fornecedores nacionais.
“A redução nas importações pode ser vista como uma oportunidade para fortalecer a indústria local, especialmente se acompanhada de investimentos em inovação e qualidade”, afirma.
Expectativas
As perspectivas para a indústria de Americana em 2025 são otimistas, segundo o diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) na cidade, Leandro Zanini. Ele acredita que a demanda aquecida deve continuar impulsionando o crescimento do setor, especialmente no ramo têxtil.
“O setor têxtil estará organizado como CPL (Cadeia Produtiva Local), o que deve impulsionar novos negócios e mercados”, destaca.
No entanto, Zanini alerta que desafios como as condições cambiais e as taxas de juros para o financiamento de máquinas e projetos podem representar obstáculos para o crescimento.
“Apesar disso, temos grandes investimentos sendo atraídos pelo Governo de São Paulo, e o Ciesp tem trabalhado para fomentar a participação dos seus associados na cadeia de fornecimento dessas grandes empresas”, comenta.
Notícia publicada no jornal O Liberal

